O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, mandou retirar do ar 1.125 publicações que associavam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, a um projeto que tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A ordem vale para X, TikTok, YouTube, Facebook e Instagram.
Na decisão, Mendonça classificou como “notoriamente inverídica” a ideia de que Flávio ou sua família tenham proposto, apoiado ou pretendam promover a mudança. O projeto citado nas postagens existiu, mas foi arquivado há 18 anos e não tinha qualquer ligação com o senador.
Como o boato começou
A história ganhou força na quinta-feira (24), depois que o programa Em Pauta, da GloboNews, noticiou que a Igreja Católica preparava uma reação a uma suposta mobilização evangélica em torno da proposta. A reportagem não mencionava Flávio. Horas depois, a emissora corrigiu a informação, esclareceu que o texto havia sido arquivado em 2008 e pediu desculpas pelo erro.
A essa altura, a versão que ligava o candidato do PL ao projeto já circulava em perfis de apoiadores do presidente Lula (PT), candidato à reeleição. Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque, feito a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, contou 397,2 mil menções ao tema e 2,3 milhões de interações nas primeiras 17 horas. Dois em cada três posts partiram de perfis de esquerda.

O projeto de 2007
A proposta foi apresentada em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, de Mato Grosso, filiado na época ao MDB. O texto alterava a lei do feriado de 12 de outubro e trocava a expressão “Padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Acabou arquivado em agosto de 2008, por recomendação do relator na Comissão de Educação e Cultura.
Reações
Flávio negou qualquer apoio à ideia. “É uma mentira que eu teria apoiado algum projeto que fosse retirar Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. Eu jamais faria isso”, afirmou o senador, que atribuiu a circulação do boato à militância petista.
Entre os atingidos pela decisão está o humorista Antonio Tabet. Em nota, ele disse que a ordem fere a liberdade de expressão e que sua publicação não citava Flávio, apenas fazia uma crítica genérica.
Com informações de GZH e Estadão Conteúdo.